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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

OS SETE ANJOS EM APOCALIPSE - CAPITULO 25 - F T Wright





Os Sete Anjos



Capítulo 25

 


O Sétimo Anjo


[1]Do Sétimo anjo está escrito:
“E saiu do altar outro anjo, que tinha poder sobre o fogo, e clamou com grande voz ao que tinha a foice aguda, dizendo: ‘Lança a tua foice aguda, e vindima os cachos da vinha da terra, porque já as suas uvas estão maduras. ‘” Apocalipse 14:18.
Esta é uma descrição da obra especial do movimento do sétimo anjo, o último da série. Quando esta obra estiver completa juntamente com os outros seis, O Senhor será capaz de regressar a esta Terra a fim de juntar a grande messe de remidos.
Este anjo, tal como o quinto e o sexto, não se dirige a todas as nações, tribos, língua e povos como os primeiros quatro. Ele dirige as suas instruções ou pedidos a um dos dois seres que levam consigo foices agudas nas mãos. Estes dois são o sexto anjo e o Filho do Homem no seu duplo papel de Rei dos reis e o grande Segador. É uma questão muito simples determinar a qual destes dois – Jesus Cristo ou o sexto anjo – se dirige o sétimo.
Apenas tem que se notar qual destes dois responde à mensagem do sétimo anjo para descobrir a resposta a essa questão. Não é Cristo mas o sexto anjo que age quando o sétimo anjo se dirige a ele para lançar a foice e segar a seara da Terra. Embora ainda não seja óbvio nesta altura do estudo, este pedido e a resposta a ele é vitalmente importante e inteiramente necessário à finalização bem sucedida do grande conflito. Isto tornar-se-á evidente à medida que o estudo continue.
Já foi mostrado que o quinto anjo avança a obra ao ponto onde mesmo a pessoa mais ímpia verá a verdadeira natureza da lei de Deus e a sua rebelião pessoal contra ela e prostrar-se-á aos pés dos santos para reconhecê-los como verdadeiros servos do Altíssimo. Deste modo será satisfeita esta exigência do longo conflito. As poderosas águas do grande rio Eufrates terão secado e o caminho dos reis do oriente terá sido preparado.
Para juntar a isto, o sexto anjo terá sido o instrumento através do qual outro requisito vital é satisfeito. Este requisito deve ser satisfeito antes do regresso de Cristo. No Calvário, o pecado demonstrou aquilo que faria ao Criador, Jesus Cristo o Filho de Deus, mas não mostrou o que faria aos que desprezassem e perseguissem o Salvador.
Apesar de Jesus ter sofrido terrivelmente, perder a Sua vida humana e ser sepultado na terra, os Seus perseguidores pareceram escapar a qualquer retribuição imediata, continuaram em posições de riqueza e poder e continuaram a receber a veneração da maioria do povo. Parecia que o pecador era o único que tinha a ganhar com o mal, ao passo que os justos pareciam ser os derrotados, mesmo apesar da verdade ser realmente o contrário.
Por exemplo, o que não era visto pelos que conheciam os dirigentes judeus que crucificaram o Salvador era a implacável tortura de alma que aqueles homens sofreram para o resto das suas vidas.
“Os sacerdotes e os principais estavam em contínuo terror, não acontecesse que, ao andar pelas ruas, ou no interior das próprias casas, se viessem a encontrar face a face com Jesus. Sentiam que não havia segurança para eles. Ferrolhos e traves não passavam de frágil proteção contra o Filho de Deus. De dia e de noite achava-se diante deles aquela horrível cena do tribunal, quando clamaram: ‘O Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos.’ Mat. 27:25. Nunca mais se lhes havia de apagar da memória aquela cena. Jamais desceria sobre eles um sono tranqüilo.” O Desejado de Todas as Nações, 785.
Que destino terrível caiu sobre aqueles homens! Nunca mais houve uma noite para eles em que não acordassem nas suas mais profundas trevas com todos os seus seres torturados pela apreensão e o medo. Por muito que tentassem, não podiam incutir nos seus receosos corpos o alívio e dormissem outra vez. Muitas foram as horas que passaram andando de um lado para outro desejando que chegasse a manhã. Isto era uma contínua tortura de alma da qual nunca encontram alívio até morrerem.
Todavia, durante o dia, mantiveram a sua digna compostura e assim esconderam do povo o agonizante sofrimento que estava a desgastar a sua vitalidade física e mental. Desse modo foram capazes de dar suporte à mentira que o pecado abençoa ao passo que a justiça despoja.
Antes do conflito poder ser resolvido, todas as questões a respeito da verdade e do erro devem ser estabelecidas para sempre, esta também está incluída. O que o pecado fará aos homens e à natureza, deve ser revelado com desfraldada clareza de modo que todos, tantos justos como injustos, possam ver o verdadeiro resultado do pecado.
Quando, na horas finais do grande tempo de provação, quando a louca, terrível, ilimitado rompimento da paixão humana e descontroladas forças da natureza trazendo incrível sofrimento e tristeza sobre os homens não arrependidos, a todos será dado uma convincente demonstração desta temível verdade. Ninguém falhará em ver aquilo que o pecado faz ao que não se arrepende.
O que é deixado então para o sétimo anjo realizar? Parecia que o quinto e sexto anjos faziam tudo o faltava ser feito, deixando o sétimo sem nada para fazer. Mas, o próprio facto que ele ali está e é descrito pela inspiração como desempenhando um papel, é evidência suficiente que ele tem uma obra fundamental para fazer. Caso contrário não seria incluído, porque Deus nada faz que não seja necessário. Quando a obra deste anjo for cuidadosamente estudada e verdadeiramente compreendida, será visto que a sua participação é tão essencial para o sucesso final da obra como a dos seis anteriores. Além do mais, ela trará à luz um aspecto muito belo do maravilhoso carácter de amor e misericórdia de Deus. Para aprender estas verdades, determinemos os factos acerca deste anjo.
Em primeiro lugar, é dito que ele sai do altar, o que é um lugar diferente de onde saem o quinto e o sexto anjos. Estes vêm do templo de Deus no Céu. Portanto, não pode ser o mesmo grupo de pessoas – os 144.000 – que formam os movimentos do quinto e do sexto anjos. Contudo, ao mesmo tempo, o Senhor não tem outro grupo de pessoas na Terra aparte dos 144.000. Quem podem ser, então, os que saem do altar? Isto pode soar a mistério insolúvel, mas a resposta é bastante fácil de encontrar.
As Escrituras, sendo o seu próprio intérprete, dão a resposta. Deve esperar-se que em algum lado nos escritos sagrados, sejam encontradas outras referências a almas debaixo do altar. Uma dessas referências informativas encontra-se nos textos que descrevem o quinto selo.
“E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram.
”E clamavam com grande voz, dizendo: ‘Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? ‘
”E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram.” Apocalipse 6:9-11.
Agora torna-se evidente que o altar é o altar do sacrifício sob o qual são vistos os exércitos daqueles que pagaram o supremo sacrifício pela causa de Deus. Eles esperaram durante séculos até chegar a hora da sua ressurreição. A lamentável extensão do tempo de provação faz com que eles perguntem quanto tempo demorará a sua libertação da prisão.
Compreendemos evidentemente que os mortos são incapazes de medir a passagem de tempo, de sentir angústia perante essa extensão, ou de fazer a ansiosa pergunta de quanto tempo têm que esperar. As Escrituras são muito claras quanto à verdade que os mortos estão inconscientes acerca daquilo que se passa quer na Terra quer no Céu.
“Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento.
”Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.” Eclesiastes 9:5, 6.
O sentido em que os mortos são representados como gritando da prisão da sepultura quando não podem de facto fazê-lo fisicamente, é simbólico. Era o que eles fariam se estivessem conscientes do que estava acontecer à sua volta enquanto estivessem numa impotente inactividade, desperdiçando tempo quando podiam estar a partilhar todas as alegrias da vida, aprendendo grandes verdades à medida que elas fossem reveladas e regozijando-se nos contínuos triunfos da causa de Deus.
Contudo, o mais importante é a mensagem que vem das frias sepulturas silenciosas para os vivos. Os que andam em íntima relação espiritual com Cristo e que compreendem o princípio que depende dos santos vivos apressarem o dia do regresso de Cristo e assim abreviar o tempo de espera, sentirão uma tremenda responsabilidade pelos amados e crentes que desperdiçam o tempo dormindo nas sepulturas. Pensai a respeito da perda de Adão e Eva que têm repousado por mais de cinco mil anos na terra, perdendo todos os tremendos desenvolvimentos do grande conflito. Por quanto tempo tem isto que continuar? Essa é a pergunta que escapa dos lábios dos justos vivos quando vêem as almas debaixo do altar. Eles também têm que compreender que se a obra não for feita rapidamente e os mortos ressuscitados das sepulturas na manhã da ressurreição, então os justos vivos, em vez de receberem a gloriosa trasladação, cairão na morte juntando-se às almas que estão debaixo do altar. É inútil então desempenhar qualquer parte no apressar o regresso de Jesus, elas estarão totalmente dependentes dos vivos para fazerem o que eles podiam ter feito.
A resposta dada às almas que estão debaixo do altar é altamente significativa. Foram informadas de que deviam repousar um pouco mais até serem mortos os seus conservos como elas foram.
O grande exército de mártires ilustrados sob o altar no quinto selo, foi o produto das terríveis perseguições efectuadas por Roma pagã e pela Roma papal. Isto foi terminado antes da abertura do sexto selo com o grande terramoto de Lisboa que atingiu a Europa em 1755. A perseguição tinha terminado antes do fim dos 1260 anos em 1798 porque o sistema apostatado da igreja tinha perdido o apoio do Estado para impor os seus decretos tal como Cristo havia profetizado em Mateus 24:21,22.
“Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver.
“E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.”
Um cuidadoso estudo da igreja e da história secular confirma a verdade destas palavras embora esta não seja a impressão inicial que se desenvolve. Em 1966, fiquei retido no Egipto durante uma semana devido a uma avaria do avião que me devia levar à Nigéria. Durante esse tempo, li O Grande Conflito desde o início até ao fim. Os primeiros capítulos descreveram-me as terríveis perseguições, envolvendo a massiva matança de cristãos que quase limpou os valdenses. As autoridades da igreja no poder não pararam perante quaisquer meios que podiam ser bem sucedidos para descobrir e destruir os santos. Depois das autoridades eclesiásticas, apoiadas pelos poderes civis, terem feito a sua obra, pelo menos em alguns lugares parecia que a obra de Deus tinha sido obliterada da Terra, ao passo que o papado tinha sido fortalecido.
Com coração magoado, continuei a ler, esperando encontrar a igreja de Deus diminuído em força, enquanto o papado crescia. Contudo, para meu espanto, em breve vi que a igreja perseguidora realmente enfraqueceu em vez de crescer. Os próprios meios pelos quais ela procurou governar incontestavelmente sobre a Terra provou serem os meios pelos quais ela se enfraqueceu a si própria. Por isso as perseguições pararam antes dos 1260 anos chegarem ao fim.
Entre essa altura e agora, tem havido suficiente liberdade religiosa mesmo nas áreas mais intolerantes da Terra para assegurar que nenhuma mortandade de grande magnitude tenha ocorrido de modo a coincidir com os pormenores da profecia de Apocalipse 6:11.
Mas há um tempo no futuro em que a perseguição religiosa se levantará outra vez numa incomparável escala mesmo com as terríveis opressões do passado. Quando a igreja tiver adquirido o apoio dos poderes civis para impor os seus decretos, serão adoptadas medidas progressivamente mais restritas para impor a aliança universal. Nenhum dissidente será tolerado. No início, será usado o ridículo pensando-se que isso será suficiente para silenciar a minoria, mas falhando isto em alcançar o efeito desejado, multas e prisão serão impostos quando for invocada a lei contra os guardadores dos dez mandamentos. Logo depois, serão proibidos de comprar ou vender e em seguida como último recurso serão condenados à morte.
Até a sentença de morte ser realmente passada, ninguém esperaria que se executassem morticínios, porque, antes deste tempo, a igreja não tem poder para executar os que não concordam com ela. Assim aconteceu no passado. Os dirigentes da igreja judaica não tinham autorização para crucificar Cristo. Semelhantemente, na Idade Média a igreja não podia queimar alguém, decapitá-la, ou de qualquer outro modo silenciar os cristãos até estar segura do suporte das autoridades civis.
Assim será no futuro. Enquanto as autoridades civis não passarem o decreto de morte em resposta às insistências dos dirigentes religiosos quando fechar a porta da graça, não terão poder para destruir o povo de Deus. Seria então de esperar que até ao encerramento da porta da graça, ninguém fosse realmente morrer por causa da sua fé; nem qualquer morte desde essa altura uma vez que o martírio não traria vantagem para a causa de Deus nesse tempo. No testemunho que se segue que se refere ao tempo de angústia depois da provação terminar em que será passado o decreto de morte e determinado um dia em particular para a sua execução, é-nos assegurado que não existirão mártires.
“Se o sangue das fiéis testemunhas de Cristo fosse derramado nessa ocasião, não seria como o sangue dos mártires, qual semente lançada a fim de produzir uma colheita para Deus. Sua fidelidade não seria testemunho para convencer outros da verdade; pois que o coração endurecido rebateu as ondas de misericórdia até não mais voltarem. Se os justos fossem agora abandonados para caírem como presa de seus inimigos, seria um triunfo para o príncipe das trevas. Diz o salmista: ‘No dia da adversidade me esconderá no Seu pavilhão; no oculto do seu tabernáculo me esconderá.’ Sal. 27:5. Cristo falou: ‘Vai, pois, povo Meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira. Porque eis que o Senhor sairá do Seu lugar, para castigar os moradores da Terra, por causa da sua iniqüidade.’ Isa. 26:20 e 21. Glorioso será o livramento dos que pacientemente esperaram pela Sua vinda, e cujos nomes estão escritos no livro da vida.” O Grande Conflito, 634.
Contudo, o tempo que conduz ao decreto de morte será preenchido de uma tal intensidade que muitos não esperarão pelo direito legal para matar os justos, porque nos é dito que alguns morrerão por causa da sua fé nesta altura. Sem dúvida que este será parcialmente o resultado da violência da multidão quando as autoridades policiais levantam a mão para defender o povo de Deus da fúria daqueles que são levados a crer que os santos são a causa dos ais que afligem a Terra. Outros morrerão em lugares secretos porque não renunciam à sua fé em favor dos ensinos e soluções populares para o sofrimento e tristeza humanos.
“Os dois exércitos permanecerão distintos e separados, e essa distinção será tão acentuada que muitos que estarão convencidos da verdade colocar-se-ão ao lado do povo que guarda os mandamentos de Deus. Quando essa grandiosa obra ocorrer na batalha, antes do conflito final, muitos serão encarcerados, muitos fugirão das cidades e vilas para salvar a vida, e muitos serão mártires por amor a Cristo, colocando-se em defesa da verdade...” Mensagens Escolhidas 3:397.
Roma “está a erguer suas altaneiras e maciças estruturas, em cujos secretos recessos se repetirão as anteriores perseguições.” O Grande Conflito, 581.
Contudo, embora as únicas mortes reais que possam ter lugar entre o povo de Deus ocorram antes da porta da graça se fechar, estes mártires não são os únicos a serem mortos como eles foram. Pelo contrário, os próprios 144.000, que, embora não derramem o seu próprio sangue, são classificados como mártires pelo supremo Juiz do Universo. Deus faz isto porque eles sentem realmente tudo o um mártir pode sentir. Será como se tivessem de facto morrido por causa da sua fé.
Considerai a sequência dos acontecimentos que trouxe progressivamente cada vez mais severos sofrimentos aos mártires do passado e que do mesmo modo trará intenso sofrimento sobre os 144.000. Em primeiro lugar, os mártires aceitaram o evangelho de Jesus Cristo como uma salvadora, viva experiência dentro de si mesmos e ficaram firmes do lado de Deus e Sua verdade independentemente das consequências. Por causa de serem chamados a fazer isto numa altura em que a liberdade religiosa foi retirada e medidas cada vez mais coercivas estavam a ser usadas para forçar a consciência, foram lançados numa luta de vida ou morte com os poderes das trevas que conspiram para livrar a Terra deles sentenciando-os à morte. Os que não foram colocados na prisão eventualmente encontraram refúgio na fuga. Isto foi apenas um alívio temporário, porque foram procurados e descobertos pelos seus incansáveis inimigos. Encurralados como animais, suplicaram por divina protecção e livramento dos seus inimigos que levantaram as suas armas sobre as suas cabeças desprotegidas. No caso dos mártires do passado, a experiência seguinte foi a escuridão da morte. Nos casos dos 144.000, a espessa escuridão que cai sobre eles neste exacto momento serão as trevas da quinta praga, mas não compreenderão isto imediatamente. Pensarão em vez disso que são as trevas da morte. Na rapidez de tudo isto, não lhes ocorrerá nesse momento que a sua consciência indica que ainda estão vivos.
Assim os 144.000 passarão verdadeiramente pela mesma experiência dos mártires com duas diferenças. Primeiro, os sofrimentos da última geração serão muito mais severos do que alguma vez foi experimentado por qualquer outro crente no passado à excepção do próprio Cristo quando agonizou no Getsêmane. Em segundo lugar, eles não terão morrido como morreram os mártires do passado, contudo, tão completamente terão provado a experiência dos mártires que será como se eles derramassem de facto o seu sangue por causa da justiça.
É a totalidade da experiência pela qual passam que faz com que o Altíssimo os tenha na conta de mártires e é assim que devia ser. Esta verdade é confirmada nas Escrituras.
Depois da segunda e da terceira pragas terem transformado os mares e as correntes dos rios em sangue, os vigias celestiais declaram que isto é uma justa punição, porque os ímpios derramaram o sangue do verdadeiro povo de Deus.
“E ouvi o anjo das águas, que dizia: ‘Justo és tu, ó Senhor, que és, e que eras, e santo és, porque julgaste estas coisas.
“‘Visto como derramaram o sangue dos santos e dos profetas, também tu lhes deste o sangue a beber; porque disto são merecedores.’” Apocalipse 16:5, 6.
Ter-se-ia a tendência para concluir que o povo de Deus morre realmente em consequência do decreto de morte, mas não é assim. A explicação que se segue destes versículos tornam o seu significado muito claro.
“Declara o anjo de Deus: ‘Justo és Tu, ó Senhor, ... porque julgaste estas coisas. Visto como derramaram o sangue dos santos e dos profetas, também Tu lhes deste o sangue a beber; porque disto são merecedores.’ Apoc. 16:2-6. Condenando o povo de Deus à morte, são tão culpados do crime do derramamento de seu sangue como se este tivesse sido derramado por suas próprias mãos. De modo semelhante declarou Cristo serem os judeus de Seu tempo culpados de todo o sangue dos homens santos que havia sido derramado desde os dias de Abel; pois possuíam o mesmo espírito, e estavam procurando fazer a mesma obra daqueles assassinos dos profetas.” O Grande Conflito, 628.
##Por isso, apesar dos 144.000 não morrerem de facto, pelo facto de serem condenados à morte e por serem levados precisamente a esse ponto, o Senhor considera-os como mártires pela Sua causa. Portanto, eles são os servos seguidores referidos no quinto selo por cujo martírio as almas debaixo do altar devem esperar antes de poderem ser libertadas da sua prisão.
Esta resposta tal como dada aos santos que estão debaixo do altar torna-se muito interessante quando vista à luz da lei das primícias. Aquelas almas que esperam sob o altar do sacrifício pela sua hora de libertação são parte dessa grande messe que Cristo juntará quando regressar em poder e grande glória. Os 144.000 são as primícias. Os que estão debaixo do altar são informados que eles, a colheita, não podem ser colhidos e levados para o Céu enquanto os seus conservos, as primícias, não forem levados ao auge do seu testemunho. Então, assim que isso tiver sido completado, a sua libertação pode ser efectuada, mas não antes. Nunca deve ser esquecido que jamais pode haver uma colheita enquanto as primícias não tiverem cumprido a sua missão divinamente apontada.
No tempo indicado no quinto selo, não havia possibilidade de um rápido fim para o grande conflito. Eles ainda estavam na Idade das Trevas embora tivesse sido enviada grande luz por Deus através dos reformadores protestantes. Esses dias foram marcados pelo início da recuperação e muito tempo havia sido necessário para avançar a obra até à sua completa finalização. Por conseguinte, a pergunta natural a ser feita nessa altura era “Quanto tempo levaria até que Deus finalizasse a Sua obra e pudéssemos ser libertos da nossa prisão e ser admitidos no Céu?”
No tempo em que o quinto e o sexto anjos estão a fazer a sua obra, prevalecerá uma situação muito diferente. Terá chegado o tempo em que a obra de Deus estará pendente da vitória final, assim o povo de Deus esteja à altura da exigência da hora, porque, a menos que se entreguem sem reservas ao serviço do Senhor, Satanás, não o Altíssimo, sairá vitorioso na luta.
A fim de assegurar que eles se entregam sem reserva neste conflito final, as vozes das sepulturas fornecerão um poderoso incentivo sem o qual os justos falhariam. Nunca mais estas vozes perguntarão, Quanto tempo? porque essa nunca mais será a questão. A hora crítica e culminante terá chegado e a grande pergunta será então, levantar-se-ão os vivos à altura da exigência da hora de modo a assegurar a vitória para a causa de Deus?
É seguro dizer que sem este apelo vindo das sepulturas, eles não conseguiriam! Mas como pode isto ser? Terão eles com certeza suficiente motivação para os incitar a prestar um serviço imensurável, um sacrifício total e uma ilimitada entrega de tudo o que têm a fim de assegurar que a vitória seja ganha em completa derrota do pecado?
Poderia esperar-se que sim, até ser dada consideração ao que eles se terão tornado nesta altura. A imagem de Cristo ter-se-á desenvolvido completamente neles o que significa que eles, tal como Ele, estarão despojados de qualquer disposição de lutar pelos seus direitos. Este desenvolvimento da semelhança divina neles é o objectivo final do ministério de Cristo no Céu, e, quando for alcançado, Ele virá pela segunda vez como está escrito:
“‘Quando já o fruto se mostra, mete-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa.’ Mar. 4:29. Cristo aguarda com fremente desejo a manifestação de Si mesmo em Sua igreja. Quando o caráter de Cristo se reproduzir perfeitamente em Seu povo, então virá para reclamá-los como Seus.” Parábolas de Jesus, 69.
Isto apenas pode significar que as mesmas respostas a uma dada situação que apareceram em Cristo aparecerão neles semelhantemente. Uma coisa que Jesus nunca faria seria lutar pelos Seus direitos. “Jesus não contendia por Seus direitos. Muitas vezes, por ser voluntário e não Se queixar, Seu trabalho era tornado desnecessariamente penoso. No entanto, não fracassava nem ficava desanimado. Vivia acima dessas dificuldades, como à luz da face de Deus. Não Se vingava, quando rudemente tratado, mas sofria com paciência o insulto.” O Desejado de Todas as Nações, 89.
Seguramente como Jesus nunca lutou pelos Seus direitos, também os 144.000 não lutarão. Isto cria um problema, porque no tempo do fim, o reino pertencer-lhes-á por direito, mas os ímpios estarão a fazer tudo para resistir à posse desse direito. Para que os justos adquiram o que é seu teriam que entrar em demanda pela questão, mas os atributos de Cristo dentro deles não lhes permitirão isto. Eles não lutarão pelos seus direitos. Por isso, a própria justiça sem a qual eles nunca poderiam ganhar a vitória parece negar-lhes essa vitória.
Por conseguinte conclui-se que, se a vitória tiver que ser alcançada, o Senhor tem que lhes dar um outro incentivo para que levem a batalha até à conclusão final. Ele pode fazer isto na base de outro atributo cristão, o espírito do serviço abnegado. Enquanto por um lado eles não lutam pelos seus direitos, por outro farão tudo o que Deus lhes ordena para satisfazer as necessidades dos outros. Sepultados nos seus túmulos está um vasto movimento de pessoas em desesperada necessidade, uma necessidade que apenas pode ser satisfeita por Cristo unicamente se as primícias cumprirem a sua missão divinamente apontada. Jazendo nas sepulturas está a grande colheita de justos mortos, que, aprisionados, inconscientes e imóveis nas suas camas estreitas, estão sem poder para se restabelecerem na arena da actividade da vida. Outros têm que fazer por eles o que eles não podem fazer por si mesmos.
Os 144.000 compreendem isto perfeitamente. O Espírito Santo dirige as suas mentes para a súplica dessas maravilhosas pessoas – Adão, Eva, Abraão, Isaque, Jacó, Daniel, Paulo, e milhões de outros incluindo os seus amados que foram arrebatados deles pela morte. Desde as suas sepulturas ouvem-nos gritando com efeito, “Lança a tua foice, e sega; a hora de segar te é vinda. Fá-lo para que possamos ser libertados desta prisão terrível e tornar-nos vivos e activos servos do Altíssimo.”
É um apelo para o qual o exército final do Senhor é incapaz de deixar de ouvir. Lembro-me disto quando estava no cemitério em Battle Creek, Michigan, ao lado das campas de James e Ellen White e membros da sua família.
 Recordei as muitas coisas maravilhosas a respeito destas pessoas dedicadas e pesaroso quando lembrava da perda para Deus e o homem quando eles adormeceram para descansar. Meditei no seu rogo e vi quanto estavam sem esperança absoluta de ressuscitar da sepultura e viver outra vez. Nessa altura, já compreendia o princípio das primícias e da colheita e portanto, podia ouvir o apelo que me faziam como se estivessem de facto a falar-me. Ouvi-os dizendo, “descemos ao nosso repouso sem ver a sagrada obra de Deus finalizada por causa da geração a que pertencemos ter falhado em alcançar a estatura completa de homens e mulheres para serem as primícias. Pelo contrário, as nossas tarefas não foram terminadas, tomámos lugar na grande colheita por recolher, esperando sempre até a bem sucedida apresentação das primícias tornar possível a colheita da grande messe. Pertences a uma geração que não precisa falhar como nós. Por causa de nós e pelos milhões que dormem em Jesus, ressuscitam no completo potencial para o que o Senhor vos chamou. Tornarem-se primícias! Lança a foice afiada e colhe os cachos da vinha da Terra porque já estão maduros. Façam por nós aquilo que não podemos fazer por nós mesmos. Lembrem-se, se não o fizerem, então, na devida altura juntar-se-ão a nós no nosso estado sem esperança e terão de esperar até outra geração ter alcançado o que vós podíeis ter realizado.”
Foi uma experiência comovente que me inspirou de modo intenso a erguer o desafio do momento e ser tudo o que o Senhor desejava que eu fosse para que esses desamparados santos que dormiam pudessem sair da sepultura.
Mas a profundidade e intensidade do apelo que senti nessa altura e lugar em nada se compara com aquilo que será quando se travarem os acontecimentos finais. Os 144.000 conhecerão profundamente a responsabilidade de serem as primícias para Cristo, o Senhor da seara e a multidão de justos que não podem ressuscitar dos mortos enquanto as primícias não tiverem cumprido a sua missão. Eles compreenderão isto muito melhor do que a vaga ideia que hoje temos. Portanto, aquelas vozes que vêm da sepultura farão naquela altura um apelo muitíssimo maior do que hoje. Qualquer hesitação da parte dos justos desaparecerá à medida que se tornem mais conscientes do dilema que envolve os seus irmãos mortos. Com esta poderosa motivação, entregar-se-ão sem reservas na última grande luta, pensando e trabalhando apenas pelos outros e não dedicando qualquer pensamento a si mesmos.
O Salvador passou pelas mesmas agonias no Getsêmane onde sentiu a terrível pressão de abandonar a Sua missão e deixar o homem a perecer na sua iniquidade ao passo que Ele regressaria ao Seu maravilhoso lar celestial onde tudo era paz e alegria. De longe melhor do que aquilo que fazemos, precisamos compreender e apreciar a terrível natureza da batalha que Cristo travou e ganhou nessa terrível noite. Há demasiada tendência para repousar complacentemente na ideia que Cristo simplesmente avançou até um certo pré programado ponto seguro quando efectuou a nossa salvação. Temos a tendência para pensar, mesmo que tentemos negar, com a mente intelectual, que Cristo não podia falhar que a nossa salvação era uma provisão segura desde o momento que Deus e Cristo se entregaram à sua realização.
Todavia, este não é o caso. Cristo passou uma luta no Getsêmane que O levou tão próximo quanto possível de desistir da luta e deixar o mundo para o príncipe das trevas. Ele podia ter-nos abandonado e quase o fez. O único factor salvador foi a revelação do total desamparo e o completo desespero da situação humana. Ele esqueceu-se então da Sua própria desesperada e perigosa dificuldade quando o Seu grande coração de infinito amor O levou a morrer pelo perdido não importasse o custo que isso tivesse para Si. Desta forma, tal como será no conflito final, a balança inclinou para a direcção correcta com o resultado que Cristo determinou não falhar. Quando os sofrimentos de Cristo no Getsêmane forem melhor compreendidos e apreciados, os crentes estarão muito mais gratos ao Salvador pelos Seus incríveis sofrimentos e sacrifício do que estão agora. Quando vier essa altura, um novo dia de poder e glória anunciado entre nós. O pecado será exposto em toda a sua monstruosidade e a justiça brilhará no seu verdadeiro brilho e glória. Oremos para que este tempo venha rapidamente.
Aqui está uma inspirada descrição parcial daquilo que ocorreu nessa tremenda noite.
“Voltando, Jesus tornou a procurar o Seu retiro, caindo prostrado, vencido pelo horror de uma grande treva. A humanidade do Filho de Deus tremia naquela probante hora. Não orava agora pelos discípulos, para que a fé deles não desfalecesse, mas por Sua própria alma assediada de tentação e angústia. O tremendo momento chegara – aquele momento que decidiria o destino do mundo. Na balança oscilava a sorte da humanidade. Cristo ainda podia, mesmo então, recusar beber o cálice reservado ao homem culpado. Ainda não era demasiado tarde. Poderia enxugar da fronte o suor de sangue, e deixar perecer o homem em sua iniqüidade. Poderia dizer: Receba o pecador o castigo de seu pecado, e Eu voltarei a Meu Pai. Beberá o Filho de Deus o amargo cálice da humilhação e da agonia? Sofrerá o Inocente as conseqüências da maldição do pecado, para salvar o criminoso? Trêmulas caem as palavras dos pálidos lábios de Jesus: ‘Pai Meu, se este cálice não pode passar de Mim sem Eu o beber, faça-se a Tua vontade.’ Mat. 26:42.” O Desejado de Todas as Nações, 690.
 “Na balança oscilava a sorte da humanidade.” Essa é a ilustração de quão perto chegou. Tudo o que era preciso para inclinar a balança para um lado ou para o outro era uma pequena palha. A raça humana estava próximo de ser abandonada ao seu destino – a destruição eterna. Embora Deus tivesse prometido ao Seu povo que Cristo morreria por ele, a prova desse testemunho foi assegurada no Getsêmane apenas quando a balança se inclinou na direcção certa. Com intenso interesse os anjos olhavam a terrível batalha e imaginavam qual seria a decisão que Cristo tomaria, enquanto os milhões desta Terra cuja sorte estava a ser decidida ignoravam o que estava a acontecer. Mesmo agora, apesar da maravilhosa luz que foi derramada no nosso caminho, temos apenas um pequeno conceito daquilo que o Getsêmane significa para nós pessoalmente, individualmente e colectivamente. Sem a vitória alcançada ali, a humanidade e a Terra teriam deixado de existir.
Com os acontecimentos tão próximos como estavam no Jardim, algum factor tinha que ser acrescentado à situação para inclinar a balança para o lado de Deus e do homem. Misericordiosamente, houve esse factor. Neste momento crítico levantou-se na mente de Cristo uma verdadeira avaliação da condição perdida da raça humana combinada com a clara consciência que somente Ele estava numa posição e tinha o poder para salvar o que perecia. Até esse momento, Ele suplicava por libertação da amarga taça ser bebida pelos Seus lábios, mas uma vez que esta clara tomada de consciência encheu a Sua mente, as coisas mudaram. Ele tomou a decisão depois do que a Sua oração respirava apenas submissão.
‘Três vezes proferiu essa oração. Três vezes recuou Sua humanidade do derradeiro, supremo sacrifício. Surge, porém, então, a história da raça humana diante do Redentor do mundo. Vê que os transgressores da lei, se deixados a si mesmos, têm de perecer. Vê o desamparo do homem. Vê o poder do pecado. As misérias e os ais do mundo condenado erguem-se ante Ele. Contempla-lhe a sorte iminente, e decide-Se. Salvará o homem custe o que custar de Sua parte. Aceita Seu batismo de sangue, para que, por meio dEle, milhões de almas a perecer obtenham a vida eterna. Deixou as cortes celestiais, onde tudo é pureza, felicidade e glória para salvar a única ovelha perdida, o único mundo caído pela transgressão. E não Se desviará de Sua missão. Tornar-Se-á a propiciação de uma raça que quis pecar. Sua prece agora respira apenas submissão: ‘Se este cálice não pode passar de Mim sem Eu o beber, faça-se a Tua vontade.’ Mat. 26:42.” O Desejado de Todas as Nações, 690, 693.
Assim saiu Cristo vitorioso desta batalha titânica. Para ganhar, Ele tinha que ter todo o factor favorável e talento ao Seu dispor. Se algum destes não estivesse disponível ou presente, o Seu fracasso teria sido certo. Assim, tão necessário quanto era, não era suficiente ser abençoado com o infinito amor divino. Nem era suficiente ter o compromisso anterior do Pai, do Universo e dos homens, para que Ele levasse a cabo a salvação do perdido não importasse o custo que isso tivesse para Si. A terrível fraqueza e pecaminosidade da Sua humanidade cancelavam estes factores ao ponto d’Ele estar literalmente balouçando na beira do desastre. Todo este estado crítico, tinha que ser reunido num outro factor que era, como já foi visto, o apelo que vinha da família humana muito embora ela na sua condição de morte espiritual estavam inconscientes de que estavam realmente a fazer um apelo.
Do mesmo modo, os mortos na sua sepultura estarão inconscientes do apelo que estarão a fazer aos justos vivos. Não saberão mais do que quando na Idade Média desconheciam a sua súplica, “Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?
Mesmo apesar do impacto e significado do seu apelo ser seu desconhecido, será ainda assim um factor decisivo em todo o acontecimento. À medida que a mensagem vinda das sepulturas chega aos 144.000, eles elevar-se-ão aos mais altos níveis do altruísmo e total sacrifício para fazer a vontade de Deus independentemente do custo para si próprios. Então, a vitória será alcançada como foi no Getsêmane, esse lugar sagrado no qual em solene juramento os membros desse ilustre grupo deve frequentemente dar os seus passos. Aí é apresentada a mais clara ilustração possível da experiência pela qual o exército final dos verdadeiros filhos de Deus passará.
A provisão de Deus que os santos que dormem participem na obra final, dá-nos uma maravilhosa revelação do Seu carácter. Ele sabe que enquanto estavam vivos, não havia nada que mais desejassem ver senão o pecado derrotado. No final, o Senhor não só lhes dará a alegria de verem o mal terminado para sempre, mas lhes designará um papel importante no último acto do drama. No tempo da sua participação, eles estarão totalmente inconscientes do seu significado. A alegria que é sua por direito apenas será conhecida por si depois da ressurreição.
Durante a sua jornada terrestre, estas preciosas almas fiéis terão dado tudo ao serviço do Mestre, muitas vezes inconscientes dos serviços que terão de facto prestado à causa. Muitas palavras de fé foram ditas, feitas múltiplas obras de caridade e diligentes petições em favor dos que pereciam, mas quão escondido dos olhos humanos na sua maior parte estão os efeitos do seu ministério. Pais e professores vão para o repouso sem verem qualquer resposta aos seus trabalhos para com aqueles que, nalguns casos, vêm ao Senhor muitos anos depois das mortes daqueles que transportaram pesados fardos em favor deles. Todavia, não permanecerão na ignorância destas coisas para sempre. Na gloriosa escola do além todas estas coisas tornar-se-ão absolutamente claras e nessa altura quão felizes ficarão estes pais e professores quando se encontrarem com esses amados no reino e virem a verdadeira marca dos seus serviços de amor!
“Todas as perplexidades da vida serão então explicadas. Onde para nós apareciam apenas confusão e decepção, propósitos frustrados e planos subvertidos, ver-se-á um propósito grandioso, predominante, vitorioso, uma harmonia divina.
“Ali, todos os que trabalharam com um espírito desinteressado contemplarão os frutos de seus esforços. Ver-se-á o resultado de todo princípio correto e nobre ação. Alguma coisa disto aqui vemos. Mas quão pouco dos resultados dos mais nobres trabalhos deste mundo é o que se manifesta nesta vida aos que os fazem! Quantos labutam abnegadamente, incansavelmente por aqueles que ficam além de seu alcance e conhecimento! Pais e professores tombam em seu último sono, parecendo o trabalho de sua vida ter sido feito em vão; não sabem que sua fidelidade descerrou fontes de bênçãos que jamais poderão deixar de fluir; apenas pela fé vêem as crianças que educaram tornarem-se uma bênção e inspiração a seus semelhantes, e essa influência repetir-se mil vezes mais. Muito obreiro há que envia para o mundo mensagens de alento, esperança e ânimo, palavras que levam bênçãos aos corações em todos os países; mas, quanto aos resultados, nada sabe, afadigando-se ele em solidão e obscuridade. Assim se concedem dons, aliviam-se cargas, faz-se trabalho. Os homens lançam a semente, da qual, sobre as suas sepulturas, outros recolhem a abençoada colheita. Plantam árvores para que outros comam o fruto. Aqui estão contentes por saberem que puseram em atividade forças para promover o bem. No além serão vistas a ação e reação de todas estas forças.” Educação, 305, 306.
Assim também os santos que estarão nas sepulturas no final, chegam ao conhecimento quando estiverem no Céu, do impressionante significado da sua insuspeita mas vital contribuição para o sucesso dos planos divinos. Que alegria será a sua verem que o Senhor os incluiu na sua última grande batalha. Que bondosa e maravilhosa provisão o Senhor terá feito para eles. Enquanto estavam vivos na Terra, nada mais desejaram senão participar na derrota total dos poderes das trevas, mas, quando chegou a altura para eles cessarem os seus labores, sentiram que perderam este privilégio, mas na ressurreição verificarão que não foi assim. Eles estarão ali quando a última batalha for travada e terão o seu lugar onde o seu papel será tão vital para o sucesso para o drama como todos os restantes.
É agora evidente que o movimento do sétimo anjo é composto, não pelos santos vivos, mas por aqueles que ainda repousam nas sepulturas. Isto tem que ser assim, porque, enquanto há santos vivos que desempenham o papel dos movimentos do quinto e do sexto anjos, há nessa altura, ninguém vivo que preencha as especificações estabelecidas para satisfazer a posição do sétimo anjo. Todo o membro do povo de Deus que estiver na Terra nessa altura, terá vindo do templo de Deus no Céu, não de debaixo do altar como se diz do movimento do sétimo anjo. Portanto, apenas este vasto grupo de pessoas que dormem nas sepulturas podem estar qualificadas. Estes são aqueles que clamam ao sexto anjo para lançar a sua foice e colher os cachos da vinha da Terra e pisá-los no grande lagar da ira de Deus. O sexto anjo executa o convite. A sua missão é cumprida quando os justos vivos, motivados pela necessidade de remover o obstáculo à ressurreição dos justos, cumprem o papel que lhes foi apontado.
Então virá o fim. As águas do poderoso e aparentemente inconquistável Eufrates secarão para sempre, o caminho dos reis do oriente será preparado e Cristo, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, aparecerá como grande Segador para ressuscitar os Seus santos que dormem.
“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.
“Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.
“Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.” 1Tessalonissenes 4:16-18.
Por isso a gloriosa obra do Senhor na batalha contra o pecado chegará ao seu apontado final, excepto para a demonstração final que tomará lugar no final do milénio. Ela necessitará dos serviços coordenados dos movimentos dos sete anjos, não apenas três como tantos têm suposto durante tanto tempo. Cada um destes movimentos tem um papel especial a cumprir, uma obra particular a realizar, sem a qual a obra não pode ser finalizada e o fim vir.
Os crentes que vivem na Terra hoje devem compreender que são candidatos a membros destes movimentos. No actual, que é o quarto, estão combinados os primeiros três, porque ele é o alto clamor do terceiro anjo. Os que permanecem vivos até o alto clamor acabar quando o quarto anjo tiver terminado a sua obra de proclamação do evangelho a todas as nações da Terra, tornar-se-ão depois nos membros dos movimentos do quinto e do sexto anjos. Nenhum destes será membro do movimento do sétimo anjo, porque não terão as qualificações dos mortos e que repousam nas sepulturas durante o período do ministério do quinto e do sexto anjos.
Obviamente, há uma grande obra de preparação que deve ser começada antes de alguém estar qualificado para ser membro destes últimos movimentos. Os que não vêem para além do ministério do terceiro anjo não compreenderão correctamente o que é essa obra, pois verão nada mais do que a necessidade de se tornar proficiente na argumentação das verdades do terceiro anjo a fim de converter tantos quanto possível.
Porém esta não é a obra final. O grande conflito somente pode ser levado ao seu auge quando o carácter de Deus e o de Satanás estiverem demonstrados em contraste na sua plenitude pelos seus representantes humanos. Os ímpios não têm que tomar qualquer preparação consciente para este papel. Para eles isto chega sem esforço. É natural ultrapassar aquilo que eles são e do que se alimentam materialmente, moralmente e espiritualmente cada dia.
Mas isto não é assim para os justos. Eles têm que compreender especificamente o objectivo colocado perante si e saber o que se espera deles. Têm que resistir ao mal com todos os poderes que o Senhor lhes tornou possível alcançar, enquanto cultivam a graça espiritual pela qual o carácter alcançará a total maturidade neles. Não é uma tarefa fácil, mas ocupará todos os momentos do seu tempo, exercitará toda a faculdade do seu ser e exigirá deles que disponibilizem todas as faculdades dadas pelo Céu para esse propósito.
Actualmente, quando ainda existe oportunidade, o Senhor está a apelar a todos nós que alcancemos a elevada norma colocada perante nós. Ninguém precisa falhar nisto. Toda a provisão tem sido dada para que nos possamos tornar como Deus. Ele certamente finalizará a obra que começou em nós e nós nos alegraremos à medida que vemos quão eficazmente Ele fará isto. Em breve desde agora, o alto clamor começará quando o quarto anjo entrar na segunda e última fase do seu ministério. Então, virá o fim da provação em que o quinto e o sexto anjos realizarão as suas obras. Ao mesmo tempo o sétimo anjo dará a sua contribuição vital e assim vê a obra finalizada.
Ninguém de nós pode saber nesta altura exactamente onde estaremos ou precisamente que serviços realizaremos quando este momentoso momento tiver lugar, mas podemos ser participantes deles e sê-lo-emos se formos fiéis a tudo o que o Senhor nos chamar a fazer. Possa cada um que professa ser crente em Jesus compreender as implicações dos movimentos dos sete anjos e não repousar até estar a ocupar o seu lugar designado e a capacitar o Senhor a lançar a sua foice aguda e a colher a messe de todos os séculos. Oh! Que inexplicável alegria será ficar firme do lado certo!




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OS SETE ANJOS EM APOCALIPSE - CAPITULO 24 - F T Wrigth





Os Sete Anjos



Capítulo 24

 


O Vinho da Terra


É dos “cachos da vinha da terra…” que o vinho é pisado no grande lagar da ira de Deus. Apocalipse 14:18. Então o sangue corre até formar uma inundação que chega aos freios dos cavalos. A conclusão significativa é que é da vinha da Terra que esta colheita de destruição e desolação corre. A necessidade de identificar especificamente que vinha está envolvida indica que tem que haver pelo menos outra vinha além desta.
De facto há. É a vinha que simboliza Cristo e acerca da qual Ele instruiu os Seus discípulos no caminho da última ceia para o Getsêmane quando disse:
“Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o lavrador.
“Toda a vara em Mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.
“Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.
“Estai em Mim, e Eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em Mim.
“Eu sou a videira, vós as varas; quem está em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer.
“Se alguém não estiver em Mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.
“Se vós estiverdes em Mim, e as Minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.
“Nisto é glorificado Meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis Meus discípulos.” João 15:1-8.
Esta é a verdadeira vinha que não é da Terra, mas aquela que desceu do Céu.
“Nos montes da Palestina plantou nosso Pai celestial esta boa Videira, e Ele próprio era o Lavrador. Muitos foram atraídos pela beleza dessa Videira, reconhecendo-Lhe a origem celeste.” O Desejado de Todas as Nações, 675.
Há uma grande necessidade de uma apreciação mais clara e mais forte a respeito da diferença entre a vinha da Terra e a verdadeira Vinha que desceu do Céu. A verdadeira Vinha representa a forma de vida em que a pessoa é de facto ligada com a Fonte da vida, Jesus Cristo. Como um ramo não pode viver separado da videira, assim qualquer pessoa não pode sobreviver e operar eternamente a menos que esteja ligada em íntima e viva ligação com Cristo o Dador da vida. Sem esta ligação, embora uma pessoa possa sentir-se segura que está viva e bem, a realidade é que está viva num tempo de prova. Quando esse tempo se acabar e for verificado que ela recusou estabelecer uma viva ligação com a Vinha, perecerá eternamente. Assim, a ligação com Cristo, a Videira viva, é o caminho da vida eterna, mas, ser parte da vinha da Terra significa separação d’Ele e a certeza da morte eterna.
Infelizmente as verdadeiras diferenças entre estas duas alternativas não será vista até ao fim no tempo em que tanto o bem como o mal tenham desenvolvido totalmente o resultado dos seus princípios. Então, quando for para sempre demasiado tarde para beneficiarem de uma ligação viva com a Videira, os ímpios verão que a sua união com a vinha da Terra os separou de qualquer esperança de vida eternamente. Então haverá um tal desapontamento e ira que a caneta não pode descrever. Emocionalmente abatidos com uma intensa angústia de alma e pesar que não podem ser experimentados ou conhecido nesta altura, desejarão ter feito a escolha correcta enquanto ainda havia tempo para o fazer.
Se fosse possível, pareceria melhor se o procedimento pudesse ser revertido, isto é, se os homens pudessem primeiramente experimentar as consequências dos seus pecados antes de os cometerem por um lado e por outro provarem a bênção do Céu antes de poderem escolher a vida em justiça. Isto, evidentemente, é impossível excepto quando aprendem através das consequências que outros têm sofrido por causa dos seus pecados. Não há melhor fonte para encontrar isto do que as Escrituras nas quais os pecados cometidos por homens, bons e maus, e os consequentes sofrimentos que caíram em particular sobre os que não se arrependeram, são tão vivamente ilustrados que, se correctamente entendidos, surpreenderão as mentes com a verdadeira compreensão daquilo que o pecado é e com o que isso custará. Nenhuma mera leitura da palavra de Deus será suficiente para revelar estas simples e terríveis verdades, mas, um profundo, prolongado e intenso estudo sob a instrução e inspiração do Espírito Santo, abrirá perante a mente horrorizada a suficiente compreensão quanto ao horrendo carácter da retribuição do pecado que leva o estudante profundamente preocupado a odiar e fugir da iniquidade, enquanto, cativado pela beleza e poder da justiça de Cristo, procurará uma duradoura ligação com a verdadeira Videira.
Para tornar as coisas ainda mais difíceis, o inimigo das almas deliberadamente determinou fazer parecer que o caminho da morte é o caminho da vida, ao passo que o caminho de Deus apenas oferece derrota, vergonha, rejeição, e, no final, a sepultura. Assim, milhões são induzidos a escolher o pecado em vez da justiça e morte em vez da vida.
Não há desculpa para fazer isto, uma vez que o Altíssimo tem dado ampla evidência para a escolha correcta. Em primeiro lugar, o Senhor tem demonstrado ser um Deus de verdade que pode com exactidão predizer qual será o resultado futuro do mal. Portanto, quando Ele descreve as cenas finais em que os homens gemerão em agonia mental por causa daquilo que já perderam e ainda enfrentam, Ele tem sempre o direito de ser crido. Sobre os que hoje estudam e atendem as advertências, repousará um receio mortal de tomar uma decisão incorrecta que os carregará com um desejo intenso de tomar a decisão correcta.
Uma das muitas ilustrações divinamente inspiradas predizendo a natureza horrenda do resultado final da iniquidade humana, é o lançamento dos cachos da vinha da Terra no grande lagar da ira de Deus. A pisadura dessas uvas é o modo de Deus descrever o resultado completo e final do mal que se tem desenvolvido desde que o pecado se estabeleceu na Terra. Ele declara que todos os que são reunidos para a vinha da Terra estarão envolvidos numa destruição da vida humana sem paralelo na história humana.
Contudo, deve ser recordado que a morte em si dos ímpios não é a pior fase da sua punição. Isso proporcionar-lhes-á o alívio para as suas agonias e na realidade desejá-la-ão. É aquilo que são forçados a suportar precisamente antes da sua destruição que constituirá a mais horrível e terrível agonia jamais conhecida dos mortais, uma angústia mental mais temível do que a dor física que estarão a sofrer que dificilmente estarão conscientes dela. Então, tal como a mente do rei Davi foi desperta para uma compreensão da terrível culpa que pesava sobre ele por causa do seu pecado com Batseba e o homicídio do marido dela que a revelação do resultado das suas pecaminosas escolhas lançarão os ímpios nas inexprimíveis agonias da consciência culpada.
Somente aqueles sobre quem a culpa consumidora da alma tem sido lançada por causa dos pecados que cometeram, podem ter qualquer conceito a respeito do que essa experiência se parecerá. Todavia, não importa quão vividamente esses tenham experimentado o peso destruidor da culpa, nunca podem conhecer por antecipação a total extensão do peso esmagador da condenação que consumirá as forças da vida daqueles que nessa altura não terão qualquer sangue expiador para os proteger da descontrolada fúria da sua própria injustiça. Beberão em vez disso o vinho da ira de Deus, pisado da vinha da Terra, totalmente desprovido de misericórdia. 25/11/2006
Não admira que “…cânticos do templo naquele dia serão gemidos…” Amós 8:3. “…Então, … todas as tribos da terra se lamentarão, … E haverá pranto e ranger de dentes.” Mateus 24:30, 51.
As pessoas rangem os dentes apenas quando experimentam o mais intenso desapontamento, frustração e ira. Isto é a expressão da máxima tortura mental. Esta será a terrível sorte dos ímpios da qual não obterão outra libertação que não o esquecimento da morte eterna.
Mas, embora os justos experimentem a fome, a espera e a angústia de Jacó, não sofrerão como os ímpios sofrerão. A certeza disto é dada no facto que o lagar da ira de Deus será pisado “… fora da cidade ….” Apocalipse 14:20.
Para compreender a expressão “fora da cidade”, é necessário determinar que cidade é. Em Apocalipse, há duas cidades que são proeminentes. Uma é Babilónia, a outra é Jerusalém. A primeira é referida uma e outra vez como o centro da apostasia e iniquidade, a base das operações rebeldes contra o reino de Deus, o coito de todo o espírito imundo e iníquo e sujeita às sete últimas pragas.
Esta não é uma cidade literal localizada num local geográfico fixo cruzando o grande rio Eufrates. Essa cidade foi destruída para sempre na famosa noite em que Belsazar bebeu o vinho de Babilónia nos vasos sagrados do santuário. Mas, embora a cidade visível fosse reduzida às eternas ruínas, o sistema de religião que tinha guiado o poder físico e militar que sustentava Babilónia e emergirá como a força religiosa mais importante para fazer oposição a Deus e à verdade nestes últimos dias. De facto, ela não só levará todas as igrejas e todas as nações na sua rebelião final contra o Altíssimo, mas absorvê-los-á tão completamente que se tornarão parte dela e a deixarão como o único poder religioso em oposição a Deus e Sua verdade.
A cidade, Babilónia, é o sistema apóstata da igreja mundial através de quem Satanás exercerá o seu derradeiro, desesperado esforço para estabelecer a sua supremacia sobre Cristo e Seu amado povo. Ela tem consigo muitas marcas identificadoras das quais a principal é a sua determinação de exaltar a criatura acima do Criador, para procurar construir o reino de Deus, à maneira do homem.
Não é fora desta cidade que os cachos da vinha da Terra serão pisados no lagar da ira de Deus sem mistura. Pelo contrário, na verdade é o oposto porque será inteiramente dentro dessa cidade que os incríveis sofrimentos ilustrados no pisar do lagar serão experimentados.
Portanto, isto apenas pode significar que será fora da outra cidade em Apocalipse que o lagar será pisado. Essa outra cidade é Jerusalém; também chamada Sião. É preciso cuidado na identificação desta cidade, porque há duas, a cidade literal geograficamente localizada na Palestina e o corpo de pessoas com inclinação espiritual que constitui a verdadeira igreja de Deus nesta Terra. A distinção é claramente feita por Paulo:
“Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós.” Gálatas 4:25, 26.
A segunda destas duas cidades é a cidade fora da qual o lagar será pisado. A consistência da interpretação requer que esta e não a outra Jerusalém terrestre seja a cidade. No caso de Babilónia, a escolha está limitada a uma aplicação espiritual da profecia porque a cidade localizada geograficamente já deixou de existir há muito; para nunca mais ser reconstruída. Por conseguinte, a única Babilónia do Novo Testamento é o grande sistema da igreja apostatada através da qual o diabo procura governar a Terra e todos os que nela habitam.
Se a única interpretação admissível da grande cidade Babilónia quando se refere a Apocalipse é a espiritual, então esta é a única interpretação possível para a outra cidade, Jerusalém. Isto é especificamente assim quando se compreende que nos últimos dias, a Jerusalém literal está cheia do espírito e obras de Babilónia, como está a própria mãe das prostitutas.
O oposto, contrapartida natural da mística cidade das abominações, é a verdadeira igreja de Deus nos dias do sexto anjo que terá sido tão provada e purificada que não terá qualquer ruga ou mácula. 2/12/2006
Esta é a cidade fora da qual o vinho será pisado até o sangue chegar ao nível dos freios dos cavalos. O testemunho que o vinho será pisado fora da cidade é a preciosa certeza de Deus que as terríveis pragas e sofrimentos que destruirão os ímpios não tocarão no povo de Deus. Não entre eles, mas completamente fora deles como verdadeira cidade, a igreja viva, o grupo cheio de justiça, será experimentada esta descida de trevas e sofrimento.
Então será cumprida a maravilhosa promessa escrita em Salmos 91, o Salmo foi escrito especificamente para o tempo de angústia. “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. ‘Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.’ Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa. Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel. Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia, Nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia. Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti. Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios. Porque tu, ó Senhor, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação. Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda. Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra. Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente. Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei. Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.” Salmo 91:1-16.
A promessa escrita neste Salmo confirma a verdade que o lagar será “… pisado fora da cidade….” Notai algumas das expressões que tornam este facto verdadeiramente claro:
“Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti. Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios…. nem praga alguma chegará à tua tenda.”
Nenhum destes horrores chegará próximo dos justos, que são a igreja de Deus, a santa cidade, a Jerusalém de cima, que é livre, a mãe de todos nós. A tempestade rugirá à volta deles, os ímpios perecerão por todo o lado, os terrores da morte e das trevas marcharão pela Terra, mas não tocarão o povo de Deus. Somente com os seus olhos verão a sorte dos ímpios.
Isto não significa que será um tempo fácil para eles. Não terão alegria nem satisfação por estes terríveis sofrimentos pelos quais os seus inimigos estarão a passar. Pelo contrário, olharão com indescritível tristeza e compaixão a sorte daqueles que podiam ter gozado a vida eterna juntamente com eles. Se houvesse qualquer coisa que pudessem fazer para evitar os desastres e a destruição, tê-lo-iam feito, desde que pudessem obter permissão de Deus para interferir. Isto não acontecerá, porque, por esta altura, o anjo da misericórdia ter-se-á retirado para sempre.
Ao mesmo tempo as forças da destruição parecem ameaçar também os justos de morte. Toda a Terra será transformada em pedaços por aquele poderoso terramoto final, a saraiva estará a pulverizar os edifícios, florestas, pessoas, animais e tudo o resto na face do globo, enquanto a onda inundadora de todas as ondas estará a varrer a Terra e a devorar tudo no seu caminho. Será impossível os justos vivos resistirem no meio de tudo isso e não se sentirem ameaçados. É então que a fé viva deve repousar na certeza que o lagar será pisado completamente fora da cidade e que nenhuma praga chegará perto do lugar onde habitam.
O facto que será um tempo terrível para os justos é revelado pelas palavras: “E o lagar foi pisado fora da cidade, e saiu sangue do lagar até aos freios dos cavalos, pelo espaço de mil e seiscentos estádios.” Apocalipse 14:20.
Aqui está uma aterradora imagem ameaçadora de morte. Quando os cavalos estão mergulhados tão fundo num mar de sangue que chega aos seus freios, não há margem significativa de sobrevivência. Se a inundação aumentasse um pouco mais de profundidade e o suprimento de ar fosse cortado quando as narinas submergissem. A morte seria o rápido resultado.
Nem eles são ilustrados como se estivessem meramente no sangue, mas mostrados com mil e seiscentos estádios para atravessar. Isso são duzentas milhas ou trezentos e vinte quilómetros. Que luta teria cada animal para forçar a sua caminhada através do espesso sangue, as suas cabeças seriam mantidas no alto apenas para romper a superfície e nunca saberem se os pés mergulhariam num buraco mais fundo que sepultaria as suas cabeças onde não houvesse ar e vida. Fazer essa viagem através de água lamacenta já seria suficientemente mau, mas fazê-la através de um mar de sangue seria muito mais horrível e detestável. Alguém cuja imaginação pudesse visualizar esta cena e situação, recuaria com horror perante a perspectiva. Contudo, esta é uma ilustração gráfica muito simbólica das lutas e agonias pelas quais os santos de Deus serão forçados a viajar durante as fases finais da angústia de Jacó.
É necessária uma compreensão dos símbolos usados no versículo antes que a interpretação seja correctamente desenvolvida. Os símbolos principais são cavalos e sangue. Para determinar a explicação apropriada destes, a Bíblia deve ser usada como a sua própria intérprete.
Esta não é a única referência em Apocalipse a cavalos em ligação com a sagrada obra de Deus. Em primeiro lugar, há quatro que aparecem em Apocalipse 6:1-8 e depois há os que se encontram no capítulo 9:7 e 19:11-21.
Os quatro cavalos em Apocalipse 6, são branco, vermelho, preto e amarelo. Estes cavalos e as suas cores são símbolos da declinante pureza do povo de Deus na sua guerra com os poderes das trevas e ilustram a progressiva apostasia e crescimento da ineficácia da igreja entre os dias dos apóstolos e a Idade Média. O primeiro do branco mais puro revela a beleza do amor e justiça que encheram a igreja durante os primeiros dias da sua história. Mas, infelizmente isto não se manteve. O branco puro mudou para vermelho, o símbolo do pecado, como está escrito: “os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.” Isaías 1:18. Em seguida o vermelho mudou para preto, as trevas que resultaram da presença do pecado. Por fim, o cavalo amarelo enche a cena, um símbolo apropriado da palidez da morte, representando a condição perigosa da igreja em resultado do pecado desenvolvido.
Este não é o lugar para entrar num estudo detalhado destes quatro cavalos e três cavaleiros. Tudo o que é necessário é demonstrar que estes cavalos são de facto símbolos do estado espiritual da igreja no tempo referido na profecia. Cavalos são símbolos certos da igreja militante, em guerra com os inimigos dos Senhor. A cavalaria no passado nos tempos bíblicos era o ataque mais rápido e mais poderoso que o general podia usar no campo de batalha.
Os cavalos de Apocalipse 9, não são símbolos de um povo puro e santo, mas dos terríveis destruidores que se espalharam pela Terra como notável rapidez e poder. O elemento destruidor nesta aplicação do símbolo é retratado por um segundo símbolo, a locusta, a criatura mais devastadora e destruidora conhecida no oriente. Assim o cavalo é usado para descrever o povo de Deus e os seus inimigos. É deixado ao dedicado, estudante da profecia ensinado pelo Espírito determinar a partir do contexto qual é a aplicação apropriada. O uso de um símbolo, neste caso cavalos, como figura tanto das forças do bem como do mal, é bastante consistente com o sistema de revelação encontrado no livro final da Bíblia. Do mesmo modo, uma montanha é usada para simbolizar tanto o reino de Deus como o de Satanás. Assim também acontece com a figura de uma mulher. Se pura e limpa, ela é o símbolo da verdadeira igreja de Deus como em Apocalipse 12, mas se uma prostituta, então é uma representação da sinagoga de Satanás.
Os cavalos que nos devem interessar mais são os que se encontram em Apocalipse 19, porque eles são vistos a cavalgar ao mesmo tempo que os de Apocalipse 14; isto é, durante o período entre o fecho real da provação e a segunda vinda de Cristo. Estes dois conjuntos de cavalos são de facto o mesmo. Os que seguem o Cordeiro no capítulo 19, estão apenas a seguir na sua vereda sangrenta quando lutam através dos mil e seiscentos estádios de sangue pela altura dos seus freios no capítulo 14.
O cavaleiro líder em Apocalipse 19:11, não é outro senão o Filho de Deus, pois, “…e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça.” Além do mais, “estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus…. E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.” Versículos 13, 16.
“E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso.” Versículo 15.
Este é o cavaleiro que é seguido pelos “…exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro….” Versículo 14.
Os exércitos que estão no Céu são de facto os santos de Deus que por esta altura nunca tinham estado fisicamente no Céu. Eles são o mesmo grupo de pessoas que são simbolizadas pelo quinto e sexto anjos de Apocalipse 14:15, 17, dos quais se diz para saírem do templo de Deus no Céu. Tal como foi explicado atrás no capítulo três deste livro, eles estão o templo apenas no sentido espiritual.
Assim está estabelecido que os cavalos simbolizam a pureza e o poder com que o povo que cavalga neles está dotado. Embora não seja especificamente declarado os cavalos referidos em Apocalipse 14:20 levam cavaleiros, é evidente que assim devem fazer pois com resolução e sucesso atravessam este mar de sangue. Cavalos sem cavaleiros não entrariam num banho de sangue. Eles precisam de cavaleiros para os guiar no caminho que devem seguir, especialmente quando o caminho que está à sua frente é perigoso. Cavalos sem cavaleiros são desorganizados e não têm direcção, como tal, não são um símbolo apropriado do poder organizador que conduz a igreja à vitória. Portanto, cavalos, como representação da condição da igreja, não podem ser separados dos seus cavaleiros.
Sem a pureza simbolizada pela brancura dos cavalos e os poderes e rapidez representada pela velocidade e força destes nobres animais, o último movimento nunca podia fazer a sua obra com sucesso. Satanás sabe isto e procura privar os santos destes instrumentos. Se ele fosse bem sucedido, então unicamente a morte seria a porção dos 144,000. O inimigo chegará tão perto da vitória que pela grossura de um cabelo realmente falhará.
Isto é ilustrado pelo sangue que chega aos próprios freios dos cavalos. Uma pessoa pode imaginar os cavalos levantando as suas cabeças para cima a fim de as manter fora do sangue. Contudo, ele chegará tão alto que não será deixada margem. Um pouco mais fundo e o sangue cobriria as narinas e cortaria o suprimento de ar. A morte seguir-se-ia rapidamente. Este triste resultado deixaria o cavaleiro privado da pureza, rapidez e poder e sepultá-lo-ia  na profundidade do sangue. A morte seria o resultado certo.
Assim, o Senhor está a procurar transmitir às nossas mentes uma figura de quão próximo os 144,000 chegarão do fracasso eterno e por quão pouca margem a vitória será ganha.
Como já se viu, o sangue corre do lagar em que é pisado o vinho da Terra, é uma representação gráfica da morte que reina nesta altura como resultado inevitável da transgressão da sagrada lei de Deus. A impiedade do homem completamente desenvolvida e a fúria da natureza, ambas totalmente ilimitadas, combinar-se-ão para desenvolver uma colheita de morte e destruição que anteriormente nunca tinha sido produzida. Será um tempo de terrível tormento, indescritível agonia mental e tremendo sofrimento físico para os ímpios.
O Senhor deseja que o Seu povo compreenda que este será um tempo da mais severa prova para eles também. Ele compreende que é impossível ao Seu povo, antes da experiência real, alcançar mais do que um ténue começo de uma adequada compreensão daquilo que eles deverão passar. É por esta razão que Ele usa cavalos forçando o seu caminho através do mortal, viscoso, denso sangue durante uma terrível distância, para lhes dar uma noção daquilo que têm de enfrentar nesta hora de teste e prova que se aproxima. Será tão intenso quanto o mais bem preparado pode suportar e não será apenas um momento.
Seja qual for o grau de compreensão desta ilustração da luta final de vida ou morte, o crente entregar-se-á à diligente obra de preparação necessária para sobreviver a esta agonia. Quando chegar este tempo, quanto desejará cada um ter devotado mais tempo à oração e exame das Escrituras enquanto teve oportunidade.
Não é de admirar como o Espírito de Deus, no Seu conhecimento da batalha que se aproxima, tivesse dito através do profeta João: “‘Escreve: “Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor.”’ ‘Sim,’ diz o Espírito, ‘para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os seguem.’” Apocalipse 14:13.