Translate

sábado, 1 de novembro de 2014

O CAMINHO DE DEUS NO SANTUÁRIO

O Caminho de Deus no Santuário

F.T.Wright

Capitulo nº2

A Revelação dos caminhos de Deus


O santuário no céu é o serviço específico através do qual Deus dá a salvação do pecado e a solução definitiva para os problemas que a transgressão introduziu no universo. Esta é a provisão pela qual o salvador é capaz de administrar os benefícios da expiação feita no calvário. Portanto é a revelação do evangelho, vivo poder de Deus para salvar do pecado.
“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” Hebreus. 7:25
Esta intercessão é feita no santuário no céu do qual Cristo é o Sumo-sacerdote.
“Ora a suma do que temos dito é: que temos um sumo-sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade;
“Ministro do santuário, verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou e não o homem.” Hebreus 8:1 e 2.
É pela virtude desse ministério no santuário celestial, que Cristo é capaz de salvar perfeitamente aquele que vem a Deus através d’Ele. Isto não quer dizer que o sacrifício na cruz não tem parte na salvação do homem porque indubitavelmente tem. Sem o sacrifício supremo e sem mancha de Cristo, ninguém teria salvação, mas ao mesmo tempo tem que ser reconhecido que se Cristo não tivesse feito mais do que oferecer a Sua vida, continuaria a não haver salvação.
O interesse de Cristo no santuário celestial é tão essencial no plano de Deus para a libertação do pecado como foi o sacrifício de Cristo na cruz. É o meio pelo qual os benefícios desse sacrifício são trazidos ao alcance do suplicante.
Por outras palavras, aquilo que Cristo obteve pela Sua crucificação, deve ser administrado por Aquele que tem o poder para trazer esses elementos vitais da vida ao que perece.
Paulo compreendeu claramente este princípio, declarando-o nestas palavras:
“Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de Seu filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela Sua vida.” Romanos 5:10.
O princípio aqui envolvido pode ser ilustrado até certo ponto da seguinte maneira. Imaginemos que um homem esta preso à espera da execução da sua sentença de morte. Entretanto, o seu pai que tem grande influência junto do governador da terra, está pedindo o perdão. Ele assegura-o com sucesso, mas isto não quer dizer que o filho que esta a mil quilómetros, esta realmente livre nesse momento. O perdão, na forma de autoridade escrita para libertar o prisioneiro, tem que lhe ser trazido onde ele está, e tem de ser aceite por ele antes de ser liberto. Se, no caminho da viagem do governador até a prisão, o pai é morto e o perdão destruído, o filho perece tão segura e completamente como se o perdão não tivesse sido obtido.
Semelhantemente a redenção assegurada por Cristo no Calvário, não fará bem a qualquer uma pessoa a menos que seja trazida e aceite onde ela está. Jesus somente, através do ministério do Espirito, pode realizar esta obra vital. Portanto, se Cristo tivesse permanecido no túmulo em vez de ressuscitar e subir ao céu como Sumo-sacerdote do santuário celestial, a raça humana estaria tão perdida como se Cristo não tivesse morrido. O calvário teria sido um desperdício sem valor.
“E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a nossa fé.
“E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam.
“Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou.
“E se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.
“E também os que dormiram em Cristo estão perdidos.” I Coríntios 15:14-18.
O que Cristo ganhou no calvário, foi com Ele para o túmulo. Satanás desejou e esperou poder fechar as portas daquela prisão ao Salvador para sempre, mas como um vencedor sobre a morte e a sepultura, o Senhor ressuscitou para levar o precioso dom da salvação consigo para o santuário celestial de onde o administra àqueles que o recebem.
A ilustração dada acima é inadequada num ponto, porque Cristo ganhou muito mais para a humanidade do que perdão. O prisioneiro da parábola acima saiu da prisão com a mesma vida com que entrou. A sua mente e atitude podem ter sido mudadas mas a natureza interior certamente não foi.
É preciso muito mais do que uma sentença de prisão e ameaça de morte para mudar o caracter do homem. Ninguém pode assegurar, o que o assassino uma vez liberto, não volte a cometer os mesmos crimes outra vez. Na maioria dos casos esses fazem-no. Muitos saem dos seus aprisionamentos mais endurecidos e perigosos do que quando entraram.
Porém Cristo trás mais do que o perdão. Ele tira essa velha natureza má e coloca uma nova em seu lugar. Então dia a dia Ele opera com o homem no interior e exterior a fim de o prepara para o juízo investigativo do julgamento. No terrível dia de investigação, o Sumo-sacerdote celestial apresenta o exame do Pai a Sua obra humana acabada, confiante que aquilo que Ele fez terá a medida dos mais exactos padrões de justiça e assim será.
Esta obra abrange uma vasta série de actividades e requer a aplicação de todo o poder e alcance do Evangelho. Para que isto seja possível, tem que haver um santuário no céu e Cristo, Sumo-Sacerdote, ministro desse edifício.
Portanto, não importa quão gloriosa e gratamente uma pessoa possa exaltar as maravilhas do sacrifício do Calvário, se há um fracasso em ver e pregar a igual importância da obra a ser feita no santuário, será a perda de um ministério essencial para salvação. Pregam somente o evangelho o evangelho de Cristo a cruz, com parte apenas dos completos serviços pelo pecado que se estende além do calvário para as cortes da glória onde Cristo é o ministro do verdadeiro santuário que o Senhor fundou e não o homem.
A obra feita por Cristo no santuário é tão invisível aos olhos humanos como a obra feita no coração do homem. Contudo ela é tão real e importante, e se bem que a obra feita no santuário esteja tão distante e invisível, tem de ser compreendida por todas as pessoas nesta terra que sejam salvas. Isto é assim porque há uma parte para o ser humano desempenhar como um cooperador de Cristo. Isto não está a provar que os homens fazem qualquer porção da presente obra de salvação, porque só Cristo o pode fazer, mas isso é dizer que a redenção não é automaticamente dada àqueles que compreendem o que Cristo fazendo e oferecendo, e que dá os passos descritos por Deus na Escritura pelos quais aquelas bênçãos se tornam sua possessão.
O povo não é salvo na ignorância. É nesta condição que eles estão perdidos tal como disse Jesus: “E conheceis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8: 32.
O Senhor através do profeta do passado aviso que “O Meu povo foi destruído porque lhe faltou o conhecimento: ….” Oseias 4:6.
Por isso conclui-se que aqueles que seriam participantes da rica corrente de bênçãos de salvação, devem compreender para si mesmos a posição e obra de seu Sumo-Sacerdote no santuário celestial. Sem isto, ser-lhe-á impossível exercitar a fé que é essencial nesta altura, ou ocupar o lugar designado por Deus para eles ocuparem.
Deus reconheceu completamente esta necessidade e de acordo com isto deu os meios pelos quais toda a alma pode ver e compreender exactamente o que está acontecendo no céu e a construir um modelo exacto do santuário no céu e a instituir nesse edifício um ritual de serviços que reproduziam numa forma simbólica o verdadeiro ministério de Cristo em cima. Portanto, o que devotou tempo e energia para que em oração estudando o ministério terrestre pudesse compreender o celestial. De facto, não há outra forma de compreender verdadeiramente o ministério de cima senão através da parábola divinamente designada e provida, estabelecida em baixo.
É importante compreender que não havia mérito nos serviços do santuário terrestre. Eles não podiam e não remiram o pecado. Portanto, não tomaram o lugar do ministério de Cristo no céu mas serviu apenas para apontá-lo, revelá-lo, ensina-lo aos que participavam nos seus serviços. A verdade acerca disto é fortemente salientada na Escritura.
“Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exacta das coisas, nunca pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a Ele se chegam.
“Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado.
“Nesse sacrifício, porem, cada ano se faz comemoração dos pecados.
“Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados.
“Pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste;
“Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradam.
“Então disse: Eis a que venho (no princípio do livro está escrito de Mim), para fazer, ó Deus, a Tua vontade.
“Como acima diz: Sacrifício e oferta e holocaustos e oblação pelo pecado não quiseste, nem te agradaram; os quais se oferecem segundo a lei;
“Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a Tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo.
“Na qual temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feito uma vez.
“E assim todo o sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados;
“Mas este havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à dextra de Deus,
“Daqui em diante esperando até que Seus inimigos sejam postos por escabelo de Seus pés.
“Porque uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.” Hebreus 10:1-14.
Estes versículos tornam clara a distinção entre os multiplicados serviços e as ofertas sacrificais repetidas do santuário do Velho Testamento e a única expiação definitiva executada por Cristo. A última, depois de remover o pecado, estabelece enquanto a primeira não tinha poder para atingir estes resultados. Se tivesse, teriam cessado de ser oferecidos porque os crentes, uma vez purificados, não tinham mais pecado nas suas vidas. Mas não é possível ao sangue de um novilho ou de um bode expiar o pecado.
Somente Cristo tinha vida que se media com a vida e lei de Deus e portanto só Ele podia providenciar a expiação do pecado. “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Actos 4:12. Além disso, apenas Ele tem a posição e poder para administrar os benefícios dessa expiação, de maneira de que ele e nenhum outro pode ser o verdadeiro ministro do verdadeiro santuário no céu.
É muito importante estabelecer que o serviço do santuário terrestre não foi dado para remir o pecado. Não há o mínimo de verdade em qualquer ideia que o Senhor o deu para este propósito. Foi para outro propósito que ele foi colocado no acampamento e o povo foi chamado a participar nos seus serviços. A menos que os intentos reais de Deus sejam vistos, será impossível compreender completamente e com exactidão o seu poder experimentado. Portanto, é vital que todo o estudante da palavra passe tempo contemplando o propósito de Deus ao dar o santuário até a divina intenção ser claramente compreendida e firmemente fixado ao dar o santuário até a divina intenção ser claramente compreendida e firmemente fixado nas convicções.
O santuário do Velho Testamento foi erigido e os seus serviços instituídos para revelar aos filhos de Deus as operações no santuário celestial pelo qual e onde o Sumo-Sacerdote é capaz; “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus.” Hebreus 7:25. Que era “…uma alegoria para o tempo presente,…”; “…que as figuras das coisas que estão no céu …”; “a sombra dos bens futuros…” Hebreus 9: 9,23; 10:1.
Dois factos vitais são estabelecidos por estas Escrituras.
Um é que não houve elementos de invenção humana no planeamento do edifício e seus serviços. Apenas Deus formou estes planos e Moisés foi levado a construir todas as coisas segundo modelo que lhe foi mostrado no monte. Nem desvio ou modificação de qualquer natureza era permitida. Por conseguinte, não havia desfeito nessa parábola perfeita e nenhuma falta pode ser descoberta nela. Se o estudante da Bíblia encontrasse nela elementos que não concordassem com a sua compreensão acerca do plano do evangelho, a falta estaria na sua compreensão, não na parábola dada por um Deus perfeito que não comete erros.
“Quando Moisés estava para construir o santuário como lugar de habitação de Deus, recebeu instruções para fazer tudo segundo o modelo que lhe fora mostrado no monte. Moisés era todo zeloso para fazer a obra de Deus; os homens mais talentosos e hábeis Lhe estavam ao lado para realizar suas sugestões. No entanto não devia fazer uma campainha, uma romã, uma burla, uma franja, uma cortina ou qualquer vaso do santuário, que não fosse segundo o modelo mostrado.” O desejado de todo o nações, 187
O segundo pontoo é que havia um único propósito possível para o estabelecimento do tabernáculo e Seus serviço. Não era para proporcionar o perdão dos pecados nem simplesmente para embelezar o acampamento. Era o propósito específico de providenciar uma exacta e compreensiva ilustração da obra a ser executada por Cristo como verdadeiro Sumo-Sacerdote com o poder para remover para sempre todo o pecado da vida e do local de habitação dos Seus filhos.
Uma única conclusão possível poder ser tirada destes factos escriturístico. E que o tabernáculo e seus serviços na terra eram verdadeiramente ilustrações do templo Celestial e seus serviços. Têm que ser. Seria totalmente ilógico concluir outra coisa, e nada dizer a cerca das terríveis acusações que seriam igualadas ao caracter de Deus no momento em que fosse declarado que o terrestre não é verdadeira representação do celestial.
Não há ser que conheça a escritura e serviços do celestial melhor do que Deus e ninguém está mais capazmente preparado para dar um modelo Dele do que é o Supremo Mestre. Ele tem declarado claramente que o santuário em baixo é modelado segundo o que está no Céu. Portanto, se de qualquer maneira o modelo se desviasse do celestial até certo ponto Deus estava a enganar-nos. Ele era um mentiroso e não o Pai da verdade.
Deus certamente não nos tem enganado, todavia há aqueles que o Têm acusado de o ter feito. Com certeza não o dizem abertamente, “Deus é um mentiroso”, mas fazem-no exactamente da mesma maneira realmente quando põe de parte o santuário como sendo uma revelação incerta do templo celestial, do Seu sacerdócio, e ministério. Estão declarando, em directa contradição com a Sua declaração de intenções, que Deus proveu um santuário no velho testamento e seus serviços não revelam verdadeiramente o que Ele prometeu que revelaria. Isto é feito pelas igrejas protestantes e católica, onde a grandiosa mensagem do evangelho como revelada nos serviços do templo, não está sendo ensinada. Alguns vão mesmo mais longe para declarar que as escrituras do velho testamento não são para os cristãos de hoje. Foram dados somente para os judeus e perdeu a sua vitalidade com o aparecimento dos escritos do novo testamento. Isto, certamente, é um falso raciocínio, pois a primeira dispensação foi uma grandiosa revelação da verdade e lançou os fundamentos sobre os quais a última dispensação foi construída. De facto o evangelho do novo testamento não pode ser compreendido excepto se o velho for estudado em conjunto com ele.
Em termos práticos, isto quer dizer que, assim como havia dois compartimentos no tabernáculo terrestre, também há dois no celestial. Assim como havia dois ministérios diferentes no terrestre, o primeiro e segundo compartimentos respetivamente, assim é no celestial. Assim como havia um pátio associado ao terrestre, assim há um relacionado com o santuário celestial.
A lista podia ser alargada até incluir todos os aspectos de um como uma ilustração verdadeira do outro, exacta, e digna de confiança.
Quão gratos podemos estar ao amado Pai que tem providenciado uma revelação de verdade que é a verdade. Ao maravilhoso sentido de segurança numa mensagem. É nesta categoria que a mensagem do santuário está.
Tem que ser reconhecido que certos textos apareceram a contradizer o testemunho do tabernáculo do velho testamento. Alguns deste tipo em Hebreus que serão objecto de exame pormenorizado mais adiante neste estudo, e que tem sido a causa de muitos rejeitarem o princípio dos dois compartimentos no santuário do Céu com dois ministérios apropriados a cada um. Quão lamentável que preciosas almas tomem tal posição. Tivesse a sua fé sido ancorada na convicção que Deus é um Deus de verdade, teriam repousado no conhecimento que quando Ele falou, deu uma verdadeira e exacta ilustração do santuário no céu, fê-lo exactamente como prometeu. Eles nunca deveriam admitir então qualquer posição negando que há dois compartimentos e dois ministérios no santuário celestial. Em vez disso, pacientemente esperariam até que esta dificuldade fosse resolvida e os textos em Hebreus compreendidos como Deus pretendia que fosse.
A conclusão que deve haver dois compartimentos e dois ministérios é baseada na asserção de Deus, que no terrestre proveu uma verdadeira ilustração celestial. Seria de esperar que os escritos do novo testamento ensinassem em harmonia com este princípio. Paulo fá-lo determinadamente, como se verifica na seguinte passagem.
“Ora também o primeiro tinha ordenanças de culto divino, e um santuário terrestre.
“Porque um tabernáculo estava preparado, o primeiro em que havia o candeeiro, e a mesa, e os pães da proposição, ao que se chama o santuário.
“Mas depois do segundo véu estava o tabernáculo que se chama o Santo dos Santos.
“Que tinha o incensário de ouro, e a arca do concerto, coberta de ouro toda em redor; em que estava um vaso, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido e as tabuas do concerto;
“E sobre a arca os querubins da glória, que faziam sombra no propiciatório; das quais coisas não falaremos agora particularmente.
“Ora, estando estas coisas assim preparadas, a todo tempo entravam os sacerdotes no primeiro tabernáculo, cumprindo os serviços;
“Mas no segundo só o sumo-sacerdote, uma vez no ano, não sem sangue, que oferecia por si mesmo e pelas culpas do povo;
“Dando nisto a entender o Espirito Santo que ainda o caminho do santuário não estava descoberto enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo,
“Que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço;
“Consistindo somente em mangares, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correcção!
“Mas, vindo Cristo, o Sumo-Sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,
“Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por Seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efectuado uma eterna redenção.” Hebreus 9:1-12
Paulo aqui da mais concisa descrição que deve encontrar-se acerca do santuário terrestre seus aprestos, e seus serviços. Estão na sua linguagem mais simples e clara que pode ser escrita declara que ele era uma “alegoria para o tempo presente…” Uma alegoria é uma representação exacta da coisa simbolizada. Portanto, Paulo positivamente transmite o pensamento que tão seguramente como o tabernáculo original, como na alegoria, contém dois compartimentos e dois ministérios diferentes, assim é no céu.
Para reforçar isto, uma pessoa tem apenas que considerar o seu uso da expressão “lugares santos”, usadas por Paulo na descrição do santuário celestial. Isto não é prontamente aparente na versão autorizada onde as palavras, “caminho do santuário”, são usadas para traduzir TA HAGIA. Hebreus 9:8. Literalmente a expressão TA HAGIA significa “lugares santos” no plural. Sendo aplicadas ao santuário celestial indica que Paulo sabia que havia mais do que um compartimento ou lugar santo no santuário celestial, exactamente como havia no terrestre.
Semelhantemente João descreve em Apocalipse a visão que lhe foi dada acerca do ministério de Cristo à direita de Deus no primeiro compartimento do santuário celestial. Ele viu o Pai sentado no Seu trono e perante Ele sete lâmpadas de fogo, que plenamente indica que essa cena se localiza no primeiro compartimento no céu.
“Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu: e a primeira voz, que como de trombeta ouvira falar comigo, disse: sobe aqui, e mostrar-te-ei coisas que depois destas devem acontecer.
“E logo fui arrebatado em espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um sentado sobre o trono.
“E o que estava assentado era na aparência, semelhante à pedra de jaspe e sardônica; e o arco celeste estava ao redor do trono, e parecia semelhante à esmeralda.
“E ao redor do trono havia vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos vestidos de vestidos brancos; e tinham sobre suas cabeças coroas de ouro.
“E do trono saíram relâmpagos, e trovões, e vozes; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete Espíritos de Deus.
“E diante do trono um como mar de vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono, e ao redor do trono, quatro animais cheios de olhos, por diante e por detrás.” Apocalipse 4:1-6.
À medida que o Senhor continuou a desvendar perante João o desenrolar dos acontecimentos dos séculos futuros, a sua mente foi levada ao tempo em que os mortos eram julgados, e os santos recompensados, e os ímpios destruídos. Nessa altura, o templo de Deus estava aberto para o segundo compartimento, permitindo-lhe assim ver a arca do testemunho de Deus.
“E iraram-se as nações, e veio a Tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, Teus servos, e aos santos, e aos santos, e aos que temem o Teu nome, a pequenos e a grandes e o tempo de destruíres os que destroem a terra.
“E abriu-se no céu o templo de Deus, e a arca do Seu concerto foi vista no seu templo: e ouve relâmpagos, e vozes, e trovões, e terramotos e grande saraiva.” Apoc. 11:18, e 19
A confirmação que estas eram visões do primeiro e segundo compartimentos é dada na passagem seguinte:
“Como foi declarado, o santuário terrestre fora construído por Moisés, conforme o modelo a ele mostrado no monte. Era uma figura para o tempo presente, no qual se ofereciam tanto dons como sacrifícios; seus dois lugares santos eram ‘figuras das coisas que estão no céu;’ Cristo, nosso grande Sumo-sacerdote, é ‘ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem.” Sendo a visão concedida a João uma visita do templo de Deus no céu, comtemplou ele ali ‘ sete lâmpadas de fogo’ que ardiam diante do trono. Viu um anjo ‘tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o por com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que esta diante do trono.’ Com isto permitiu-se ao profeta ver o primeiro compartimento do santuário celestial; e viu ali as ‘sete lâmpadas de fogo’ e o ‘altar de ouro’ representados pelo castiçal de ouro e o altar de incenso no santuário terrestre. Novamente, '‘abriu-se no céu o templo de Deus’, e ele olhou para dentro do véu interno, no santo dos santos; ali viu a ‘arca do Seu concerto’, representada pelo escrínio sagrado construído por Moisés a fim de conter a lei de Deus.
“Moisés fizera o santuário terrestre ‘segundo o modelo que tinha visto’. Paulo declara que ‘o tabernáculo e todos os vasos do ministério, ‘quando se acharam completos, eram ‘figuras das coisas que estão no céu.’ E João diz que viu o santuário no céu. Aquele santuário em que Jesus ministra em nosso favor, é o grande original, de que o santuário construído por Moisés era uma cópia.” Patriarca e profetas, 369, 370.
Mais atenção deve ser dada a estas particulares referenciam a medida que o estudo prossiga. De momento, o pensamento que deve ser estabelecido é que, a fim de encontrar a necessidade de cada crente conhecer e compreender a obra de Cristo em seu favor o Senhor deu o santuário terrestre como uma representação exacta do templo celestial e seu santo ministério salvador. Deve ser acentuado que se não fosse uma representação perfeita do celestial, então não havia razão para ter sido dada. Isto é tão importante que toda a mensagem do santuário se mantem firme ou cai neste facto.
Então conclui-se que todo o que ganhasse a vida eterna precisava, especialmente nestes últimos dias em que uma obra especial de purificação e preparação é requerida a fim de se encontrar com Cristo sem ter passado pela sepultura, de ter um conhecimento raramente claro, compreensivo e preciso, acerca da obra mediadora de Cristo no céu. Isto é possível excepto através dos meios dados por Deus para compreender isto, nomeadamente o tabernáculo terrestre torna-se o assunto de sincera meditação. Esta é uma provisão feita para assegurar-nos a vida eterna. Portanto, a redenção depende de muitas horas devotadas ao estudo deste tema todo importante. “Satanás consegue inumeráveis planos para nos ocupar a mente, para que ela não se detenha no próprio trabalho com que deveremos estar mais bem familiarizados. O arqui-enganador odeia as grandes verdades que apresentam um sacrifício expiatório e um todo-poderoso Mediador. Sabe que para ele tudo depende de desviar a mente, de Jesus e Sua vontade.
“Os que desejam participar dos benefícios da mediação do Salvador, não devem permitir que coisa alguma interfira com seu dever de aperfeiçoar a santidade no temor de Deus. As preciosas horas, em vez de serem entregues ao prazer, à ostentação ou ambição de ganho, devem ser dedicadas ao estudo da Palavra da verdade, com fervor e oração. O assunto do santuário e do juízo de investigação deve ser claramente compreendido pelo povo de Deus. Todos necessitam para si mesmos de conhecimento sobre posição e obra de seu grande Sumo-sacerdote. Aliais, ser-lhes-á impossível exercer a fé que é essencial neste tempo, ou ocupar a posição que Deus lhes deseja confiar. Cada individuo tem uma alma a salvar ou perder. Cada qual tem um caso pendente no tribunal de Deus. Cada um há-de defrontar face a face o grande Juiz. Quão importante é, pois, que todos contemplem muitas vezes a cena solene em que o juízo se assentará e os livros se abrirão, e em que, juntamente com Daniel, cada pessoa deve estar na sua sorte, no fim dos dias!
“Todos os que receberam luz sobre estes assuntos devem dar testemunho das grandes verdades que Deus lhes confiou. O santuário no céu é o próprio centro da obra de Cristo em favor dos homens. Diz respeito a toda a alma que vive sobre a terra. Patenteia-nos o plano da redenção, transportando-nos mesmo ate ao final do tempo, e revelando o desfecho triunfante da controvérsia entre a justiça e o pecado. É da máxima importância que todos investiguem acuradamente estes assuntos, e possam dar resposta a qualquer que lhes peça a razão da esperança que neles há.
“A interceção de Cristo no santuário celestial, em prol do homem, é tão essencial ao plano da redenção, como o foi Sua morte sobre a cruz. Pela Sua morte iniciou essa obra, para cuja terminação ascendeu ao céu, depois de ressurgir. Pela fé devemos penetrar até o interior do véu, onde nosso Precursor entrou por nós.” (Hebreus 6:20) Ali se reflete a luz da cruz do Calvário. Ali podemos obter intuição mais clara dos mistérios da redenção. A salvação do homem se efectua a preço infinito para o céu; o sacrifício feito é igual aos mais amplos requisitos da violada lei de Deus. Jesus abriu o caminho para o trono do Pai, e por meio de Sua mediação pode ser apresentada a Deus o desejo sincero de todos os que a Ele se chegam pela fé.” Conflito dos Seculos, 487-489

A mensagem para o nosso tempo
(Publicado na revista “The Mesenger and News Review”, Maio 1980)

Continuação